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03 março 2019

22 janeiro 2019

27 setembro 2018

POEMA | O construtor

O Construtor

Ele deu seu sangue, suas lágrimas, seu suor.
Dedicou seu tempo, sua inteligência, seu amor.
Ele sonhou, projetou, realizou.
Pensou que agora seria o momento de desfrutar, descansar, se acomodar.
Não, não era não!
A inquietude o dominou, a insatisfação chegou.
Entendeu que não podia ficar.
Do seu trabalho outros iriam desfrutar.
Foi chamado a uma nova missão.
Decidiu seguir o coração.
Mudou de direção.
Não olhou para trás.

Míriam Navarro

POEMA | Tempos Modernos


TIC TAC
TIC TAC
Os dias vão passando
TIC TAC
TIC TAC
A rotina vai nos levando
TIC TAC
TIC TAC
Já não temos tempo pra nada
TIC TAC
TIC TAC
É do trabalho para casa

TIC TAC
TIC TAC
Não vemos mais saída
TIC TAC
TIC TAC
Maldita lógica fordista
TIC TAC
TIC TAC
Não há tempo para pensar
TIC TAC
TIC TAC
Só reproduzir, executar

TIC TAC
TIC TAC
Para que criar?
TIC TAC
TIC TAC
Copiar, finalizar!
TIC TAC
TIC TAC
Nossas mentes estão vazias
TIC TAC
TIC TAC
As relações cada vez mais frias

TIC TAC
TIC TAC
As forças se esgotando
TIC TAC
TIC TAC
O fim está chegando
TIC TAC
TIC TAC
Para onde vamos?
TIC TAC
TIC TAC
O que buscamos?

TIC TAC
TIC TAC
Já não encontramos sentido
TIC TAC
TIC TAC
Nesse mundo ensandecido

Míriam Navarro

25 agosto 2018

O direito de permanecer calada


Não! Não aceitarei palavras rudes e agressivas em meu dia-a-dia. 

Não! Não me acostumarei a ouvi-las, reproduzi-las, perpetuá-las. 
Me recuso a deturpar meu linguajar, abrir a boca para ofender, magoar. 
Não! Não regurgitarei minhas mágoas, não metralharei os outros com minhas frustrações. 
De minha boca sairá palavras de vida, amor, esperança compreensão.
Caso contrário, optarei pelo silêncio, o precioso silêncio que evitará muitas aflições.

10 junho 2018

Barcelona, Meu lugar



Bar...Barcelona
Ruas planas
Cores, sabores, aromas
La Boqueria, viva a vida!
Sagrada Familia, Casa Batlló, La Pedrera, Parque Güell...
Coisas de Gaudí
Arte, beleza, musicalidade
Trem, metrô, euforia
Antiguidade e modernidade
Que enigma!
El Gótico, El Born
Passeig de Gràcia, Gran Via
Explorar até cansar
Todo dia é dia!
Las Ramblas, Plaça d'Espanya
Lojas, restaurantes, turistas, guias
Fonte, alegria, luzes, inspiração
A noite termina
As ruas ficam vazias
Silêncio, quietude, contemplação, lamparinas
Montjuïc, MNAC, Miró, Pueblo, Castillo
Escadaria, ladeira, subida
Do alto a bela vista
Oceano, porto, brisa
Bar...Barcelona
Cidade quente, vibrante, colorida
La Barceloneta, barcos, marina
Tuc-tuc, gelato, transatlântico
Imigrantes, multidão, correria
Inigualável Catalunha
Patriotismo, orgulho, pretensão
Barça, Camp Nou
Conquista, legado, tradição
Teleférico, funicular
Águas dançantes
Frutos do mar
Calamares e gambas
Sangria, crema catalana
Êxtase, satisfação
Não te esqueço, não te abandono
Te deixo meu coração
Te levo na memória
Um dia volto pra ficar
Barcelona é meu lugar

Minha homenagem à Barcelona!
Míriam Navarro




09 novembro 2017

Poema FÊNIX


Um grito inaudível
Ecoa das profundezas do ser
O que ele traz consigo
Ninguém é capaz de entender

Lava quente, espessa e borbulhante
Sobe até a boca fazendo derreter...
Estruturas reforçadas pelo tempo
As bases do agir e do viver

Explosões violentas
Reduzem tudo à cinza e pó
Derrubam certezas
Efeito dominó

Desfalecer sob os escombros?
Morrer soterrado?
Juntar os cacos!
Renascer!

27 outubro 2017

À PROCURA DE SI





Um pássaro obstinado a voar, não se importa com o ar rarefeito, nem com o lugar onde está. No farfalhar de suas asas, prepara-se para alçar. Sabe que nasceu para isso e que sua hora chegará. 

Já esteve em gaiolas, viveiros, criadouros. Cortaram suas asas, tentaram lhe domesticar. Mas o instinto falou mais alto, foi embora para nunca mais voltar.

Cambaleou pelos telhados, saltou de galho em galho até encontrar refúgio num jardim. Alimentou-se do que havia por perto, bebeu a água da chuva, descansou à sombra de um arbusto, esperou suas asas ganharem forças, partiu. 

Sobrevoou a cidade, encontrou o seu bando, engajou-se numa aventura sem fim. Aprendeu a pescar, cantarolar, rodopiar, planar. Experimentou a liberdade, ziguezagueou no céu de anil.

Sentiu a necessidade de procriar, conquistou a fêmea, acasalou, deu continuidade a sua espécie, cumpriu seu propósito natural.

Exausto e satisfeito, pousou em frente ao mar, sentiu o calor do sol aquecendo suas penas, o marulho das águas acalmando o coração, a brisa suave a acariciar-lhe, o silêncio, a solidão.

Pela primeira vez em toda a sua vida sentiu-se dono de si e concluiu que sua árdua e incrível jornada não serviu a outro propósito senão conduzi-lo até ali.

Míriam Navarro
27/10/2017



26 outubro 2017

18 agosto 2017

05 agosto 2017

Poema Diálogo com a Vida


Morena formosa
Cabelos compridos
Lábios volumosos
Dentes de marfim

De onde vem tua inquietação
O que guarda em teu coração?
Por que tamanha insatisfação?
O que espera de mim?

As flores já não te apetecem
Tua juventude minguou
Tu é sol poente
No horizonte se apagou

Fala, grita, chora
Põe pra fora o que te deixou assim
Sou tua vida
Encontre um sentido pra mim

Míriam Navarro


Poema Despedida



Estou me afogando
Neste mar de solidão
Meus pés estão tão frios
Quanto meu gélido coração

Fito minha mortalha
Ela sorri para mim
Branca, pura, rendada
Nunca a desejei tanto assim

Com um gesto fúnebre
Me despeço de ti
Corpo morimbundo
Não tente me impedir

Vejo uma luz
Os anjos esperam
por mim
Enfim terei repouso
Meu tormento chegou ao fim


Escrito por Míriam Navarro
Inspirado em Madame Bovary, de Gustave Fleubert

19 junho 2017

Sobre viver ou morrer


Querida amiga,
tens consciência da brevidade da vida? Até quando estarás imersa em lágrimas? Até quando continuará entorpecendo os sentidos para não enxergar ou sentir a realidade que a cerca?
Tão efêmera quanto a glória-da-manhã que desabrocha no início do dia e morre ao entardecer, intensa como o sol no esplendor do meio dia e melancólica como o crepúsculo, multifacetada e imprevísivel como as imagens geradas no interior do caleidoscópio, cruel como a seca, devastadora como um tufão, assim é a vida, o maior de todos os paradoxos.
 Viver ou morrer, eis a questão!
Pode-se estar vivo mas morto; e morto mas vivo. Explico! Uma pessoa pode ter os órgãos em pleno funcionamento, uma rotina, afazeres, obrigações, mas estar morta em sonhos, utopias, aspirações, ilusões, devaneios. Outra pode estar a sete palmos, consumido por vermes, não é mais que caveira inanimada, no entanto, sua história, feitos e legado, a mantém viva, inspirando livros, filmes, canções.
O que é melhor? Estar vivo mas morto ou morto mas vivo?
Como se sente, minha cara? Viva ou morta em vida?
A tumba do vivo é gélida, negra, solitária e silente. É confortável, pois protege dos conflitos, da luz que denuncia o seu lado obscuro, das intromissões, das cobranças, mentiras e frustrações. Por outro lado, é uma clausura que priva do amor, da alegria, das experiências, do aprendizado, da emoção, das paixões, da conquista, das cores, dos aromas, da partilha.
Diante de ti há dois caminhos, é hora de fazer uma escolha: desfrutar dos sabores e dissabores da vida ou entrar em tua tumba e esperar que ela passe diante de teus olhos.
Se escolher a segunda opção, só posso dizer: "adeus, descanse em paz!"

Míriam Navarro, saindo da depressão.
Inspirado em Hamlet - Shakespeare
Spoiler de um livro embrião.

18 março 2017

CONTOS & POEMAS | Detalhes que encantam



Uma saudação acompanhada de um sorriso radiante
Um abraço que transmite confiança
Com licença, muito obrigada, por favor
Te amo, te admiro, conte comigo, me perdoe
O telefonema de um amigo distante
Um encontro inesperado com colegas da escola
Fazer amigos virtuais e descobrir inúmeras afinidades
Receber um e-mail carinhoso que provoca imensa alegria

Detalhes que encantam...
Que transformam um dia monótono em especial
Que nos fazem refletir
Que nos mobilizam
Simples, porém ao experimentarmos, sabemos que jamais seremos os mesmos
Míriam Navarro 09/05/2008

15 novembro 2016

CONTOS & POEMAS | Petição


Ó vida
Por favor, me ensine

Tuas batalhas lutar
Tuas alegrias desfrutar
Tuas dores superar
Teus desafios vencer
Teus paradoxos compreender
Tuas impossibilidades aceitar
Teus bons momentos celebrar
Teus dilemas resolver
Tuas lágrimas enxugar
Teus relacionamentos gerenciar
Tuas boas surpresas aguardar
Tuas decepções esquecer
Teus medos extirpar
Tuas emoções equilibrar
Neste mundo viver


Míriam Navarro

CONTOS & POEMAS | Verdades Inventadas - Míriam Navarro e Lilian SG


Não tenho animal de estimação,
Também não cultivo flores
Crio verdades inventadas
Que me previnem das dores

Na falta de um amor
Invento um príncipe encantado
Quando estou sem dinheiro
Simulo compras virtuais
Na ausência de amigos
Me contento com as redes sociais

Se não posso viajar
Navego no Google Earth
Carente de família?
Me vejo num comercial de margarina
Insatisfeita com a profissão?
Penso que faço por diversão

Se me decepciono
Tenho uma recaída...
Sofro uma queda
Cuja dor expõe os hematomas invisíveis

Abro meus olhos
E de novo acordo
Na verdade passível
De mentiras risíveis